Liev Tolstói é um nome que eu conheço de ouvir falar há muito tempo, mas só agora, me coloque a ler algumas de suas histórias. Para começar, escolhi um livro que reúne quatro contos. É um livro bem curto, com menos de 100 páginas e de fácil leitura, mas com ótimas reflexões.

Neste livro, da editora Principis, temos quatro histórias:

  • Do que vivem os homens
  • Três perguntas
  • A cafeteria de Surat
  • De quanta terra precisa um homem?

Em Do que vivem os homens, a história é mais suave, quase acolhedora, e se concentra na convivência, na empatia e na fragilidade humana. O conto propõe uma reflexão sobre o que realmente sustenta a vida das pessoas, indo além das necessidades materiais. Tolstói constrói a história de modo a valorizar gestos simples, relações de cuidado e a capacidade humana de amparar o outro mesmo em condições de escassez. É um texto profundamente influenciado pelo cristianismo moral de Tolstói, mas apresentado de forma acessível, sem pregação explícita.

Em Três perguntas temos uma história filosófica. O conto gira em torno da busca por respostas universais: quando agir, com quem agir e o que é mais importante fazer. Em vez de oferecer soluções abstratas ou teóricas, o conto conduz o leitor por situações concretas, mostrando que a sabedoria não está em fórmulas gerais, mas na atenção ao momento presente e às pessoas envolvidas. É um texto que valoriza a ação consciente e a responsabilidade imediata, sugerindo que o sentido moral se constrói no agora.

A cafeteria de Surat amplia o horizonte do livro ao deslocar a história para um ambiente multicultural, onde diferentes visões religiosas e filosóficas entram em diálogo. Tolstói utiliza esse cenário para questionar discursos vazios, disputas intelectuais estéreis e a distância entre aquilo que se defende em palavras e aquilo que se pratica na vida. A história reforça a ideia de que a ética não depende de sistemas complexos, mas de coerência entre pensamento, fala e ação.

A história que ganha destaque na capa do livro, “De Quanta Terra Precisa Um Homem?“, aborda a relação do homem com a posse e com a ideia de progresso material. É sem dúvida a melhor história da coleção. A narrativa acompanha um camponês que acredita que a tranquilidade e a segurança dependem exclusivamente de ampliar aquilo que possui. A história se desenvolve como uma reflexão sobre os limites físicos, morais e humanos, e questiona, de forma muito direta, até que ponto a busca por mais pode se tornar um fim em si mesma. Tolstói conduz o leitor a perceber que o problema não está na terra, mas na lógica interna do desejo, que nunca se satisfaz.

Todas as histórias são extremamente diretas. Tolstói contextualiza questões filosóficas com alegorias, como parábolas bíblicas, e me parece não querer deixar espaço para que tenhamos conclusões diferentes das que ele imagina. É como um pensamento próprio dito em voz alta, mas neste caso, em texto. Além disso, todos as hsitórias dessa coleção têm um fundo religioso, mas não dogmático. O que aparece neles não é a religião institucional, como regras de igreja, rituais, clero, mas uma religiosidade moral, prática e cotidiana.

E lendo um pouco sobre o escritor, descobri que ele teve três fases. A primeira, descrita como fase inicial, onde predominava um tom mais realista e profundo, com personagens complexos e narrativa longa e detalhada. Nesta fase ele escreveu o livro Guerra e Paz, que também conheço muito de ouvir falar, simplesmente considerado um dos livros mais importantes da literatura mundial.

Na segunda fase, descrita como fase de transição, Tolstói passa a questionar o sentido da vida, morte, fé, o valor da arte, e seu próprio papel como escritor. A literatura começa a ficar mais curta, mais direta e mais moralmente carregada. Depois de alcançar tudo o que um escritor poderia desejar, como fama mundial, reconhecimento, estabilidade material, ele entra numa crise profunda ao perceber que nada disso respondia à pergunta que passou a dominá-lo: por que viver, se tudo termina na morte?

Na terceira fase, descrita como fase tardia, Tolstói adota uma visão religiosa própria, baseada nos Evangelhos, mas dissociada da igreja institucional. Ele rejeita hierarquias, rituais e dogmas, defendendo uma ética centrada no amor ao próximo, na não violência, na humildade e na renúncia ao excesso material. A quatro histórias que li pertecem a essa fase. Essa fase foi tão radical que levou à excomunhão de Tolstói pela Igreja Ortodoxa Russa.

Tolstói foi um dos maiores escritores da literatura mundial e uma das figuras centrais do romance moderno. Russo, do século XIX, ele levou o realismo a um nível de profundidade psicológica e moral que poucos autores alcançaram. Seus livros não apenas contam histórias, mas investigam a vida humana, suas contradições, ilusões, sofrimentos e buscas por sentido.

Tolstói teve um papel decisivo ao mostrar que o romance podia abarcar tudo ao mesmo tempo, indivíduo e sociedade, história e intimidade, ética e cotidiano. O livros como Guerra e Paz e Anna Kariênina redefiniram o que um romance poderia ser, influenciando gerações de escritores no mundo inteiro.

Com tudo isso, Guerra e Paz entra na minha lista de livros para ler. No entanto, preciso deplanejamento, cosiderando que tem cerca de 1600 páginas (um belo contrate com as histórias de poucas págians que li). Mas ser considerada umas das obras mais importantes da literatura mundial deve valer o esforço.

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Last Update: 06/02/2026