Talvez você tenha assistido no cinema o filme Devedores de Estrelas. Ele estreou no Brazil em meados de abril de 2025 e foi um prazer assistir ele. Há muito tempo que eu não saia do cinema tão satisfeito.

O filme é baseado em um livro, de mesmo nome. A história é escrita por Andy Weir, mesmo autor do livro “Perdido em Marte”, que também virou um filme de bastante sucesso, e que considero muito bom. Mas esse eu não li o livro.

No idioma original, o livro se chama “Project Hail Mary”, que é algo como “Projeto Ave Maria”. Pelo que ouvi falar, o Hail Mary também é um nome de uma jogada no futebol americano, quando o quarterback lança a bola longe numa tentativa desesperada de alguém do seu time pegar e conseguir marcar o ponto, o touch down. Parece que no basquete também há uma espécie de Hail Mary, que é quando o jogador lança a bola nos instantes finais e cronômetro zero com a bola no ar. Se ela entrar na cesta, é ponto. Esse contexto de desespero no esporte tem tudo a ver com a história so filme. No Brasil, ganhamos o título “Devoradores de Estrelas”, que não é ruim, mas que perde todo encanto do nome original.

Fui assistir ao filme sem saber de nada disso. Fui brutalmente surpreendido.

Na história, a luz do sol começa e enfraquecer. Depois descobre-se que uma infestação de criaturas unicelulares está trenando a energia do sol. Não é que esses bichinhos vão apagar o sol, ele só enfraque. Fica cerca de 10% mais fraco. Isso é suficiente para mudar completamente o clima da terra. Os eceanos vão esfriar demais, boa parte da vida marinha vai acabar, plantas vão morrer, e toda a cadeia alimentar vai junto, a terra vai entrar numa era glacial e a humanidade sofrer um evento de extinção em massa. Para evitarisso tudo, surge o projeto Hail Mary.

Os cientistas percebem percebem que, além do sol, todas as estrelas vizinhas também estavam perdendo brilho, com exceção de uma. A humanidade se une para lançar uma nave em direção a essa estrela na expectativa de descobrir o motivo pelo qual ela não perdeu seu brilho. E toda história do livro se baseia nessa aventura.

Devo dizer que o filme, embora muito condensado, me parece melhor. É com certeza uma adaptação brilhante da história. Talvez ganhe o Oscar de melhor Roteiro Adaptado. O livro acrescenta bastate informação, muita mesmo. O filme faz algumas coisas diferentes, por força da necessidade de adapar a história para o formato de cinema, mas é fielmente baseada na história original. No filme incluíram uma cena de karaoke espetacular, e isso não tem no livro.

Andy Weir cria uma história bastante baseada em ciência, explica vários conceitos, e não é necessário ser um experte para fazer uma leitura divertida do livro. Por exemplo, se estão estudando os bichinhos alienígenas, descobrem que ele é formado por estruturas celulares muito parecidas com as encontradas na terra, tem mitocôdrias e se reproduzem na atmosfera do planela Vênus por causa do concentração de gás CO2. Alguns termos são bem técnicos, e várias decisões tomadas pelos personagens se baseiam em coisas do tipo. A viagem até a estrela vizinha leva quase 5 anos do ponto de vista da nave, mas custa quase 13 anos para quem ficou na terra. Estranho? Isso é a Teoria da Relatividade Especial de Albert Einstein, e não é ficção (satélites em órbita da Terra, por exemplo, precisam ter os relógios corrigidos frequentemente, pois o tempo passa mais devagar pra eles em relação a nós).

A história apresentada no filme me cativou ao ponto de querer ler o livro. E não me arrependi. Embora já soubesse o final e todos os arcos principais, realizar a leitura de uma história embasada em ciência foi muito divertido. Foi uma das leituras mais rápidas que já fiz nos últimos tempos, cerca de 650 páginas em aproximadamente duas semanas.

A propósito, alguns meses atrás eu terminei de assistir um série já finalizada, The Expanse, do Prime Video, cuja história geral sobre colonização do Sistema Solar coloca alguns limitações baseadas em ciência. Ela é baseada em uma série de Livros. Fiquei inclinado a ler e comecei, mas não continuei.

Deixo a recomendação da leitura de Devoradores de Estrelas, do autor Andy Weir. Ele foi lançado no início de 2021. Imagino que a escrita do livro levou algum tempo. Mas estou comentando isso porque em novembro de 2022 a OpenAI lançou a primeira versão do ChatGPT para o público geral, o início de uma revolução com consequências profundas na sociedade. A história do livro tem alguns trechos com inteligência artificial e robótica. Talvez o livro tivesse algumas tramas alteradas se fosse escrito nos dias atuais. E depois de ler o livro, assista o filme, você não vai se arrepender.

Categorized in:

Livros,

Last Update: 11/05/2026