No início de 2025 eu escrevi um texto sobre os livros que havia lido em 2024 e comentei que manter o hábito da leitura foi uma tarefa bem difícil. Mal eu sabia que ler em 2025 seria muito, muito mais difícil. Em 2024 eu li seis livros. Em 2025, apenas dois. Foi uma ano de bastante correria. No primeiro semestre eu estava estudando loucamente para concluir a faculdade de Ciência e Tecnologia, e no segundo semestre, comecei um mestrado. Embora, do ponto de vista da leitura, deixou a desejar, considero que foi um ano com saldo extremamente positivo. Pelo menos a vontade de ler não passou, isso é bom.
Em 2025 eu li “A Segunda Aurora”, do autor brasileiro Juliano Righetto, e também li “Enssaio Sobre a Cegueira”, do autor português e ganhador do Nobel, José Saramago. Ambas leituras muito prazerosas.
O livro A Segunda Aurora é um romance de ficção científica com elementos de fantasia e reflexão social, publicado pela Chiado Books entre 2018 e 2019. É um tijolão, com cerca de 632 páginas, mas os personagens são cativantes e a história é envolvente, sobretudo por se passar no Brasil. Depois de um grande cataclismo que mudou drasticamente a sociedade, a tecnologia que conhecemos desapareceu e as pessoas sobrevivem de forma simples, em vilas que lembram sociedades pré-industriais. Juliano tem um canal no YouTube chamado “somos míopes porque somos breves“, que fala sobre ciência, astrofísica e temas relacionados ao universo. Foi por lá que fiquei sabendo de A Segunda Aurora e me parece que ele está escrevendo uma continuação. Com certeza vou ler!
Ensaio sobre a Cegueira uma das hsitórias mais impactantes da literatura contemporânea, é desconfortável, provocador e impossível de ler de forma indiferente. Por vezes, no meu caso, ficava difícil de virar a página para continuar, mas o desejo de chegar no final e conhecer o desfecho falava mais alto. Em geral, leio porque é prazeroso, mas livros como este também são necessários. A história começa quando uma cidade é atingida por uma epidemia: as pessoas passam a sofrer de uma cegueira sem causa aparente, veem tudo branco, descrita como mar de leite (em vez da escuridão de quando fechamos os olhos). À medida que a cegueira se espalha pelo mundo, as estruturas sociais desabam, as leis, moral, higiene, empatia, tudo fica em segundo plano. O que sobra é o ser humano reduzido ao essencial e o brutal. A dificuldade em ler está na proximidade da história conosco, em saber que os comportamentos descritas no texto podem acontecer.
Para 2026, espero continuar lendo bons livros, e em mais quantidade.