Corria mais ou menos o ano de 2011. O mundo tateava a revolução que vinha com os smartphones. O iPhone, lançado quatro anos antes, e o Android, com seus três anos de vida, ainda eram boas novidades nas mãos de poucos. E o Windows Phone, recém-nascido, ainda nem se falava. A internet no celular era um luxo lento, cheio de limitações que sequer haviam sido imaginadas para uma tela de bolso. Pouco se falava em responsividade, muito menos em páginas sensíveis ao toque. E o máximo da IA era o Akinator.

O atendimento ao público era no balcão. Aplicativos bancários ainda engatinhavam. Foi nesse cenário que uma certa universidade resolveu dar um salto rumo ao futuro. Instalou no hall, como se fosse um monumento da era espacial, um totem de autoatendimento. A ideia era brilhante! Uma tela grande, interativa, pronta para libertar os estudantes das filas e dar acesso direto a alguns serviços. Tudo no touch screen. A experiência de usar caixas eletrônicos para sacar dinheiro (uma espécie de PIX impresso) ajudava nessa hora.

Para garantir que ninguém ficasse perdido diante daquela engenhoca, o totem mostrava um vídeo tutorial, que rodava em loop no topo da tela. O vídeo desenhava o passo a passo com a paciência de uma mãe, na mais alta tecnologia do Flash: digite sua matrícula, escolha a opção, confirme com sua senha. Para ilustrar como a mágica funcionava, a animação mostrava uma sequência qualquer sendo digitada no teclado virtual.

O futuro havia chegado!

Até que o futuro tropeçou na natureza humana.

Em uma tarde movimentada, um rapaz marchou em direção ao balcão com o cenho franzido e os braços firmemente cruzados. Trazia a postura solene de quem acabara de desmascarar um escândalo de segurança nacional. Passou direto pela fila e abordou o funcionário: “vocês estão usando a minha senha no vídeo do totem! Isso é um absurdo, uma invasão da minha privacidade!”

O burburinho do saguão pareceu diminuir. O atendente, coitado, nunca fora treinado para aquilo. Piscou uma, duas vezes, tentando processar aquele cruzamento entre a sofisticação da era digital e a ingenuidade da era analógica. Ele próprio não entendia o que estava acontecendo.

O jovem, em sua infinita busca por proteção, havia escolhido para sua vida acadêmica justamente a combinação mais óbvia do planeta: aquela mesma que o designer do vídeo usara, sem pensar duas vezes, para representar “uma senha qualquer”. Mas, na cabeça do estudante, não havia dúvidas: o totem tinha sido programado especificamente para expor o seu segredo mais bem guardado de toda a sua vida acadêmica.

Reza a lenda que, se fosse um aluno do curso de Direito, o problema poderia ter proporções muito maiores.

A tecnologia avança, cria smartphones, telas sensíveis ao toque e algoritmos revolucionários. Mas nada, absolutamente nada no progresso humano, supera a capacidade de um usuário se sentir o centro do universo diante de um vídeo explicativo.


Esse texto retrata uma situação real. Ele foi escrito com ajuda de IA e revisado por um humano.

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Last Update: 28/08/2026