Deati é um livro do escritor brasileiro Juliano Highetto, lançado em agosto de 2026. É a continuação direta de A Segunda Aurora. Começa imediatamente após um dos principais acontecimentos do livro anterior e eu estava ancioso por esta continuação, ja relelada no final do primeiro livro. Vou contar aqui minhas impressões, com algum nível de spoiler ⚠️.

É um livro que pode ser lido separadamente, mas vai perder muito em contexto. Ele tem alguma dependência dos acontecimentos do livro anterior. Apesar do nome, Deati não é a protagosnista aqui. Ela desempenhou um papel importante em A Segunda Aurora, se tornando parceira amorasa de Heitor, o protagosnia. Embora o objetivo final seja o reencontro com Deati, ela é citada pontualmente. Sei que é bobagem, mas eu fiquei mais ou menos até a página 150 esperando o momento onde Deati entraria na história, que não aconteceu; o nome do livro me provocou uma pequena confusão mental e quebra de expectativa.

Heitor, inclusive, continua sendo um protagonista muito carismático e bem construído. Sua bondade genuína é o que mais chama atenção, embora isso tenha colocado ele em apuros diversas vezes. O livro inteiro, na verdade, gira em torno dele. As histórias satélites sempre convergem para algo relativo a Heitor.

Deati expande o universo da Terra em uma era glacial, provocada por ataques terroristas que explodiram bombas por todo planeta, levando a um inverno fortíssimo e dizimando a população. Para contextualizar, Heitor e mais alguns amigos são astronautas e estavam em em viagem espacial durante os ataques. Por motivos explicados pela relatividade, o tempo no planela continuou por cerca de 1500 anos, enquanto que para a tripulação de Heitor, foram apenas alguns meses (isto é ciência real, mas ainda não alcançada por nossas limitações tecnológicas).

Ficamos conhecendo um pouco mais sobre as mulheres no Paraíso e do povo em Hatos. Duas comunidades que rapidamente acolhem o carisma e a bondade de Heitor e passam por transformações profundas. Heitor, antes de seguir por sua viagem de volta para sua amada, Deati, trata de ensinar as mulheres do Paraíso a caçar e se defender. Também levanta ponto muito importantes sobre sexo e continuidade da espécie humana, comentando até sobre diversidade genética.

O único ponto negativo negativo é o antagonista, Rico. Um novo personagem com características de vilão que é mau por ser mau. O epílogo, em suas 2 páginas dentre as mais de 500 do livro inteiro, tenta trazer alguma explicação para a peversidade inerente do personagem. As situações provocadas pro Rico são enfadonhas e parecem desencaixadas da personalidade de Heitor sobre as reações para elas. Se o motivo era fazer com que tivéssemos ódio de Rico, foi alcançado, ao custo de criar uma narrativa com situações repetitivas, rodeando estragar a história como um todo.

Rico aparece já bem no início e vai estar sempre relacionado a Heitor durante todo resto da história, e este é um dos problemas. Toda narrativa está repleta de ciladas provocadas por Rico, incluindo assassinatos, assédio, agressão física e psicológica a crianças e mulheres, e também estupro. Muita dessas atitudes são de conhecimento de Heitor, que pouco faz para ajudar. Isto me parece uma contradição, considerando a personalidade de Heitor construída no primeiro livro, que dentre muitas boas características, é muito inteligente.

Heitor teve oportunidade de se livrar de Rico (matar ele) diversas vezes, mas não o fez. Mais ou menos na terceira parte da história, tomamos conhecimento que Heitor sabia, desde sempre, que Rico matou personagens muito importantes para si, dezenas e mais dezenas de páginas antes. Deliberadamente, Heitor decidiu não fazer nada de imediato, pois tinha planos para que Rico não destruísse o Paraíso. Continuamos a leitura porque, do nosso ponto de visa de leitor, Heitor não sabia de nada. Quando foi revelado, fiquei frustado. Não me pareceu o Heitor de a Segunda Aurora. O protagonista é um ótimo personagem, mas seu coração bondoso aqui é infantil e extreamamente ingênuo, estranho para alguém com mais de 100 anos de idade (essa idade é explicada em A Segunda Aurora).

Apesar disso de Rico, Deati vale a muito a leitura. Sinceramente, espero um terceiro livro nesse universo. Não supera A Segunda Aurora, mas acrescenta elementos muito marcantes. Por onde passa, Heitor faz amigos e não temos como não gostar disso.

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Last Update: 24/09/2026